O mercado de Trabalho Temporário deve registrar cerca de 530 mil contratos no 4º trimestre de 2026, segundo projeção da Associação Brasileira do Trabalho Temporário (ASSERTTEM). O volume representa leve alta de 1,5% em relação ao mesmo período de 2025 e mantém a trajetória de estabilidade observada ao longo do ano. A estimativa considera o aumento das demandas transitórias associado ao calendário de consumo de fim de ano, com o Dia das Crianças, Black Friday e Natal, mas também um ambiente de maior cautela das empresas diante dos juros elevados, da adequação ao novo cenário tributário e das definições eleitorais.
"O cenário segue positivo, mas exige cautela. Não estamos diante de uma expansão acelerada, e, sim, de um mercado que vem mantendo estabilidade mesmo em um ambiente econômico que ainda impõe desafios às empresas", afirma Alexandre Leite Lopes, presidente da ASSERTTEM. "Isso porque o Trabalho Temporário ganha importância justamente nesse contexto, visto que permite adequar a força laboral às necessidades transitórias com agilidade e flexibilidade operacional", completa.
Para os meses de outubro, novembro e dezembro, a expectativa da ASSERTTEM é de que a Indústria concentre (45%) das contratações temporárias, seguida por Serviços (35%) e Comércio (20%).
"Na Indústria devem se destacar segmentos como eletroeletrônicos, brinquedos, linha branca, vestuário, calçados e alimentos ligados às festas de fim de ano. No Comércio, o movimento começa já em outubro, com o Dia das Crianças, e ganha força com a Black Friday e o Natal. Em Serviços, a logística deve concentrar parte importante da demanda, impulsionada pelo comércio eletrônico e pela distribuição dos produtos vendidos on-line", explica Lopes.
Segundo a ASSERTTEM, fatores como o período eleitoral e as adaptações ao novo ambiente tributário podem pressionar decisões de investimento e contratação no último trimestre. Ainda assim, as demandas características do fim do ano tendem a sustentar a necessidade de reforço temporário das equipes.
Além de apoiar as empresas na gestão da força laboral diante das oscilações de demanda, sazonalidades e substituições transitórias, o Trabalho Temporário também representa uma oportunidade de retorno ao mercado formal. A contratação é formal e vinculada à necessidade transitória da empresa utilizadora, com direitos assegurados pela Lei Federal nº 6.019/74 e pelo Decreto nº 10.854/2021.
"Para quem busca uma oportunidade ou recolocação, o Trabalho Temporário cria uma opção concreta de voltar ao mercado, gerar renda e demonstrar suas competências em uma situação real de trabalho. A efetivação não é a finalidade do regime, mas a prática mostra que ela pode ocorrer. Atualmente, a taxa média de efetivação dos trabalhadores temporários é de 20%", acrescenta o presidente da ASSERTTEM.
O mercado chega ao último trimestre de 2026 após um 3º trimestre também marcado por estabilidade. Entre julho e setembro foram registrados aproximadamente 636 mil contratos temporários no Brasil, crescimento de 2% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo mês de agosto, com maior movimentação da indústria e da logística para atender às demandas do segundo semestre.